Half The Sky – Voltando Opressão em Oportunidade para Mulheres de todo o mundo

Por: Marilia Alves em Comportamento

Half the Sky é um documentário de quatro horas produzido para a televisão pública americana (PBS) e filmado em 10 países: Camboja, Quênia, Índia, Serra Leoa, Somália, Vietnã, Afeganistão, Paquistão, Libéria e Estados Unidos. Inspirado no aclamado livro do casal Nicholas Kristof e Sheryl WuDunn, o programa apresenta Kristof em uma jornada extraordinária ao lado de ativistas famosas como Diane Lane, Eva Mendes, Meg Ryan e Olivia Wilde em vários países. A jornada encontra mulheres e jovens vítimas do tráfico de escravas, falta de educação e violência moral e sexual.

O documentário acompanha de perto a luta dramática dessas mulheres, para conquistar um lugar ao sol em meio à adversidade.

(Fonte: Discovery Home & Health)

Eu assisti a série e fiquei muito comovida com as histórias, pois são muito impactantes. Muito fortes. Fazem realmente a gente pensar sobre a opressão de muitas mulheres no mundo inteiro.

E não pensem que isso só acontece nos países que eles citam, acontece também bem no nosso quintal, com menos ou mais gravidades, mas estamos tão atentos a outros fatos corriqueiros, que nem percebemos a gravidade da questão.

Antes de virar uma série Half the Sky foi um livro, depois uma organização e a TV resolveu levar mais a sério e fez a série.

Half The Sky I

Nessa foto uma mulher que – desculpe-me  - não me lembro o nome tem uma organização aonde ela dá ajuda as meninas e mulheres de Serra Leoa na África Ocidental, que depois da guerra civil ficaram totalmente carentes, carência de toda ordem. Muitas são estupradas, sofrendo de abuso moral e físico. Esta mulher está ajudando uma menina que foi estuprada pelo pastor de sua comunidade e decidiu fazer valer sua voz entregando o estuprador para às autoridades. Mas sabem o que aconteceu? Ela foi expulsa de sua casa e o estuprador foi solto. Porque, infelizmente, depois de ser estrupada ela virou uma vergonha para a família. É minha gente, tem cada coisa que acontece, enquanto ficamos na nossa zona de conforto, o mundo grita um pedido de socorro.

Essa coisa de ser estuprada e a família ficar com vergonha acontece no mundo todo, por isso, que as vítimas não gostam de denunciar os algozes, pois além de terem sofrido tal violência, ainda são discriminadas pela sociedade. Um crime que gera efeitos causando outro crime. Estupro e discriminação. Hediondo. Isso tem que mudar.

 

Half The Sky II

Desculpem pela qualidade das fotos, pois foram tiradas rapidamente pelo celular – também postei no instagram.

Nessa outra foto essa mulher que está com a atriz Meg Ryan, é Somaly Mam, nascida numa família de minoria tribal na província Mondulkiri, do Camboja, a qual começou a vida na pobreza extrema. Com opções limitadas, em um grupo fortemente marginalizado etnicamente, e que vive em desespero inimaginável, sua família muitas vezes recorreu a meios desesperados para sobreviver. Nestas circunstâncias terríveis Somaly foi vendida como escrava sexual antes dos doze anos de idade.

Depois foi forçada a trabalhar em um bordel, juntamente com outras mulheres e crianças por muitos anos, e foi brutalmente torturada e violentada.

Uma noite, ela foi levada para ver seu melhor amigo sendo violentamente assassinado. Decidiu, então, que ela não queria mais “manter o silêncio”.  Somaly heroicamente escapou de seus captores e começou a construir uma nova vida no exterior.

Mas ela jurou nunca esquecer aqueles que ela deixou para trás, e logo voltou para o sudeste asiático. Ela tem dedicado  sua vida para salvar as vítimas, com a construção de abrigos e programas para curar e capacitar as sobreviventes a se tornarem agentes de mudança.

Em 1996, Somaly estabeleceu uma organização não-governamental cambojana chamada AFESIP (Agir pour les Femmes en Situation Precaire).

Sob a liderança de Somaly, AFESIP empregou uma abordagem holística que garante às vítimas não só escapar desta situação, mas também a força emocional e econômica para enfrentar o futuro com esperança.

Com o lançamento do Mam Somaly Fundação em 2007, Somaly estabeleceu um veículo de financiamento para apoiar a luta contra o tráfico destas organizações e proporcionar às vítimas e sobreviventes uma plataforma, para que suas vozes possam ser ouvidas em todo o mundo. Somaly estima que ela e sua equipe têm ajudado mais de 7.000 vítimas até o momento.

Eu a vi no programa e fiquei encantada com a força desta mulher, pois apesar de tudo que viveu, entra com a cara e a coragem dentro dos bordéis, com a ajuda dos agentes contra o tráfico, para poder resgatar as meninas que são mantidas em cativeiro, dentro de quartos trancados – abertos somente para a entrada de clientes do bordel. Isto e muito mais já lhe renderam ameaças de morte.

Mas, para quem já viu a morte de perto, a exemplo, quando teve um revólver apontado na sua cabeça… Ela diz que os donos de bordéis a consideram sua inimiga, por tira a “renda” deles, mas ela continua resistindo à tudo isso.

Vi também como Somaly é querida pelas meninas, como tem empatia, por ter passado pelo mesmo, o que cria um laço forte com elas.

Somaly disse que a prostituição acabou com a vida dela, e agora ela se dedica 100% para salvar essas meninas, que muitas vezes, levam anos para criar uma conexão com elas, já que foram vendidas pela própria família, então, passam a não confiar em mais ninguém.

Fiquei chocada ao ver nessa situação uma criança de 3 anos de idade! #tristeza#

Mas o sucesso de Somaly também teve um preço. Ela e sua família têm enfrentado ameaças de morte e violência aterrorizantes. Perguntado do porquê que ela continua a lutar, em face desta oposição feroz e assustadora, Somaly resolutamente respondeu:

_ “Eu não quero ir sem deixar rastro.”

Ainda quero comentar sobre outros casos, para lembrar que isso não acontece só em filmes, séries ou em países distantes.

Não, queridas amigas, precisamos de uma voz maior a favor das mulheres e meninas que vemos a beira da prostituição em nosso país também, além de ler, se informar e ajudar mesmo que distante essas mulheres que passaram por tudo e continuam fazendo a diferença.

Como? Precisamos pensar na importância da globalização, não só em como tudo de bom chega até nós, mas sobretudo, dos direitos humanos básicos, do direito a viver dignamente, da felicidade genuína, do maior bem do mundo: o respeito à própria vida.

Façamos nossa parte e respeitemos uns aos outros, e que a própria globalização, em nome das leis, tradições, ONGs, instituições, fundações, movimentos de pessoas, programas de massa etc etc  sirva de leve e trás e leve mais respeito, oportunidade e dignidade a todos(AS) e nos traga melhores notícias.

Que a vida supere mais esta adversidade, pois precisamos ler esta vida com mais alegria.

17
abr
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  1. Jane
    17/04/2013

    Que triste isso, nossa já conheço histórias reais, documentários dessa situação, é realmente triste mesmo.
    Já vi filmes baseados em histórias reais muito fortes que derramam lágrimas em pensar que crianças e mulheres passam por isso.
    Eu não sei explicar o porquê de tudo isso, essa humanidade está cada vez decaindo mais e mais. E não vai melhorar, isso não é pessimismo, é a bruta realidade.
    Poucas pessoas como essa mulher tentam fazer algo bom dar certo, Deus tenha misericórdia dela nessa luta e esteja com ela.

    • Marilia Alves
      17/04/2013

      Jane, Deus tenha misericórdia mesmo, pois precisamos estar atentas ao que está acontecendo no mundo e de alguma forma ajudar

  2. Não vi o episódio citado, mas vi a série e achei fantástica.
    São situações inimagináveis. Muito triste ver o que as mulheres ainda sofrem mundo a fora, quando elas descobrirem sua força não haverá homem que resista

  3. Daiane
    17/04/2013

    Eu gosto muito da Meg Ryan e da Olivia Wilde, são grandes atrizes, mas nunca imaginei que elas, assim como a Diane Lane e Eva Mendes, fizessem um trabalho tão importante quanto esse. Esse tipo de coisa acontece no mundo todo, as vezes até debaixo dos nossos narizes mas o medo e a vergonha de se expor acaba intimidando as vítimas que na maioria vezes sofrem caladas. Eu fico muito triste quando leio historias como a dessa Somaly e penso quantas mulheres não estão passando pelas coisas que ela passou(ou por coisas piores). Mas também fico muito feliz que esses assuntos estão sendo cada vez mais difundidos pois só tornando o problema público é que as autoridades e Ongs e projetos como esses podem fazer algo para salvar essas mulheres.

    • Marilia Alves
      17/04/2013

      Dai, a Somaly é uma guerreira que ajuda essas meninas, eu concordo totalmente com vc

  4. Thalita
    17/04/2013

    Oi!
    Vou procurar esse documentário para assistir.
    E não podemos esquecer, que esse tipo de coisas não acontece em paises mais pobres e etc. Acontece muitas vezes no quintal ao lado.
    Adorei o post.
    Bjs

    • Marilia Alves
      17/04/2013

      É Thalita, é o precisamos ficar atentas, a Hilary falou uma coisa: Acontece em nossos quintais e nem vemos

  5. Sabe que vi uma foto muito interessante rodando no fac que dizia mais ou menos assim: Seja de burca ou de roupinha curta, não é não… devemos sempre lembrar nossos filhos disso!!!
    vi um documentário contando sobre as mulheres violentadas em um país da África por guerrilheiros e o que mais me chocou foi um soldado(nem sei qual patente) dizendo que aquilo era normal que os guerrilheiros são homens e como tal tem suas necessidades, esse senhor e seu exército estão ali para fazer valer os direitos e a justiça, no entando para eles estupro não é crime..

    • Marilia Alves
      17/04/2013

      Claudia,
      Nesse documentário também cita esses casos de violência por guerrilheiros, terrível

  6. simone andrea p.santos
    17/04/2013

    muito triste os depoimentos mas o q mais me admiro e a força de vontade delas de sobrevevirem ,de mudarem, de ñ entregar “os pontos ‘ de tão corajosas
    que ñ se calam e trazem a tona tanta opressão =]

  7. Não é somente no mundo afora que essas atrocidades acontecem, aqui no Brasil na região norte e nordeste tem prostíbulos com escravas sexuais vendidas pelas famílias também. Lá as meninas com menos de 10 anos são as mais cotadas, quando elas atingem 18 anos já são consideradas velhas demais p/ a prostituição. Tem livros e organizações denunciando isso, mas não conseguem um apoio efetivo do nosso governo. Só lembrando que na nossa lei, a violência sexual contra menores de 14 anos não é considerado estupro, tendo uma penalidade menor.

    Acho de extrema importância esse tipo de post.

    Bjs

  8. Poliana
    18/04/2013

    Que horror tudo isso, Ma! E moro em uma cidade com recorde de violência contra a mulher: Brasília, a capital do nosso país. É triste, mas o mundo vai evoluindo e os seres humanos retrocedendo. Enquanto mulheres ainda serem vistas como mercadorias e não como gente, esse tipo de coisa vai continuar acontecendo! Força para essas mulheres guerreiras e para nós também, que saibamos fazer a nossa parte!